quinta-feira, 19 de abril de 2007

Invierno porteño

Hoje, no caminho do trabalho, percebi: a Chuva pela manhã tem cor de prata.

Odeio Chuva. Nada me lembra mais o Outro do que Ela... (E como chove ultimamente!) Mas não pense, leitor apressado, que A odeio por causa d'Ele. Não. Meu ódio é mais antigo. A Chuva me lembra os dias inúteis em que fico em casa enquanto Ela conquista o mundo... Lembra pés machucados por causa do insano encontro entre areia, água e sandálias. Odeio: Ela sempre me impede de caminhar.

Mas nunca impediu o Outro. Porque Ele A ama. Ele nasceu com Ela, no primeiro dia do inverno. O Outro gosta de sentir a Amada tocar seu corpo com seus pingos indecentes. O Outro nunca teve guarda-chuva, mas comprou um quando me conheceu. Era enorme, prateado, cor-de-chuva-pela-manhã. O Outro pediu para eu amar seu guarda-chuva. Eu amei. (Adios, nonino). Agora só tenho a Chuva.

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