sexta-feira, 1 de junho de 2007

Estante

Gastei todo o meu primeiro salário com livros. Acabei sem dinheiro para comprar um celular que substitua o roubado. Mas foi uma ótima escolha: paguei por ótimas companhias. Eles sempre estão comigo nos ônibus. E eu sou um pouco assim, de me esbaldar em livrarias por preferir livros "virgens".

Agora, sem estágio e precisando realmente de um celular, abstenho-me de compras. Mas como uma boa "desvirginadora", não posso me abster dos meus objetos de desejo. O que fiz, então, foi substituir as livrarias pelas estantes de novas aquisições das bibliotecas.

Livros com páginas intocadas, sem um rabisco. E eu os pego com todo o carinho. Meus olhos indecentes atentam a todas as vírgulas. Minhas mãos encostam nas páginas para que não sejam machucadas pelo vento. Acho que isso é amor - é piegas, mas é amor.

Quando eles voltarem à biblioteca, carimbarão em suas costas a data da volta. Será quase como uma tatuagem com o meu nome. E eles passarão pelas mãos de outras pessoas. Passarão... mas eu ficarei: serei sempre a primeira mulher da vida deles.

Um comentário:

Rafael Sotero disse...

E ainda se fala em pieguice de outrem. Mais qu'est-ce que je peux dire?