domingo, 1 de julho de 2007

Antiquário

Organizando minha vida e os papéis velhos, encontro textos escritos em várias datas. Esse foi de novembro de 2005. Contextos diferentes, idéias diferentes... Mas, por curiosidade e falta de inspiração [e também como forma de guardá-los], vou transcrevê-los aqui.

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COM TEXTO

Não há momento em que eu seja tão verdadeira comigo mesma do que quando estou diante de uma folha de papel, uma folha em branco, pedindo para ser escrita, implorando por um pouco de tinta ou grafite e um muito de vida. Escrevo para mim, mais ninguém. Talvez quem leia isso me ache prepotente, egoísta, insuportável. Você leu o que EU escrevi... O papel já estará preenchido por MIM, cheio de coisas MINHAS. Você, servilmente, apenas lê. Você olha para mim, mas não pode me alcançar, não pode me contradizer... Pode até não gostar do que eu escrevi, mas isso não tem nada a me acrescentar ou ao meu texto. Ele já está no papel, já ganhou vida e não tem nada que eu ou você possamos fazer. Na verdade, podemos fazer alguma coisa, sim. Você pode para de ler, jogar isso numa gaveta ou no lixo. Mas não é isso que fará... Porque está tomado, leitor, pelo mesmo impulso que me faz escrever sobre o papel. Porque quer saber onde isso vai dar, quer contar quantos "que", quantos "isso", quantos "quantos" meu texto tem. Quêquéisso! Pra que isso? Posso até alimentar sua fome gramaticalMENTE, sintaticaMENTE, ortograficaMENTE, vorazMENTE errada... Mas nunca para agradar você, só para agradar meu papel sedento, minhaMENTE pulsante, meu lápis escorregadio, fugindo e bailando mais rápido que a borracha que diz não. Sim, sim, SIM! Mas está chegando o momento de mostrar a você, leitor curioso, onde isso tudo vai parar. Na verdade, vou dar-lhe uma escolha:

1) .
2) ...
3) !
4) ?

Felicidades, com amor
Eu

P.S.1 : minha borracha mandou lembranças.
P.S.2: A folha já está completa. Agora já posso mentir pra você e pra mim.

3 comentários:

Rafael Sotero disse...

Textos com um único parágrafo são muito opressivos na internet :/

asadebaratatorta disse...

atualiza, atualiza! =P

Andréa disse...

Sou uma pessoa opressora, Rafael! ^^

Na verdade, o texto não era pra internet... foi transcrito pra cá. é quase uma citação de mim mesmo, se é q isso é possível!