Mas a paz e a ordem daquele lugar me davam certa agonia. Era tudo tão pensado! Jardins temáticos, mapas de localização, cada plantinha em seu lugar e com direito a plaquinha de identificação, como se fosse um crachá... Não! Tinha que nascer uma flor no cimento! Um beija-flor ou morcego deve ter levado uma semente de desordem pra algum daqueles canteiros! Alguma trepadeira deve ter se enroscado num lugar inesperado!
(pausa para acalmar a alma)
Elas estavam ali, várias iguais e incrivelmente distintas de qualquer árvore que eu já tinha visto. Nenhum artista contemporâneo conseguiu montar algo tão maravilhosamente estranho. Dos troncos, saiam hastes que pareciam galhos secos, sem folhas, com bolas amarelas nas pontas. E também era nos troncos que estavam grandes frutos redondos, maiores do que cocos, e as flores mais bonitas que já vi, com cores tão vibrantes que pareciam ter saído de um cartaz publicitário. Eram lindas! Árvores lindas e esquisitas! Um chamado à desordem, ao inesperado!
Eu, com meu pensamento pequeno burguês, tirei uma foto e vi o nome na plaquinha. Desejei um pouco daquela beleza louca pra mim e só guardei uma imagem desfocada... Mas ainda terei uma daquela no meu jardim.
abricó-de-macaco

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