Hoje fui visitar Eça de Queiroz. Ele está lá, na rua do Alecrim. É quase vizinho do Camões e do Fernando Pessoa. Passei por ambos, mas não era com eles meu encontro. Eu tinha que levar uma foto lá, no Largo Barão de Quintela.
Ricardo Reis, quando voltou do Brasil, subiu pela rua do Alecrim. Carlos da Maia passava por lá andando. Claro: no fim da ladeira, na parte mais baixa, fica o Cais do Sodré, onde viu a senhora Castro Gomes pela primeira vez.
No fim da ladeira, está o Tejo, ou o Atlântico. Só me norteio no Capibaribe, é estranho isso. Mas o rio, ou o mar, seja o que for, é bonito de se ver, no fim da ladeira.
Meu destino não estava longe da estação Baixa-Chiado. Atravessei a rua e logo vi Eça, por cima da Verdade. Agora estava recomposto. Eu o tinha encontrado no meu primeiro dia em Lisboa, escondido nos fundos do Museu da Cidade, no chão, desmontado, depredado. Hoje, tinha de volta seu esplendor, mesmo esquecido pelos turistas que sempre tiram fotos com Pessoa, mesmo que não seja tão visível quanto o Camões a dez metros de altura.
Eça não estava distante do solo como o Camões. Mas havia outros obstáculos para chegar perto. Grades. Grama. Pombos. Policiais. Transeuntes. Passeei em volta, como quem nada queria, esperando aquele lapso temporal, aquele parênteses que permitiria que eu pulasse a cerca fiel e determinadamente.
Não havia possibilidade. Mas havia uma foto. E não voltaria pra casa com ela. Eça precisava ver, mesmo à distância. Cheguei o mais perto que pude da grade. Espantei alguns pombos (mais literários que traças, não se afastaram). Coloquei a foto por baixo da grade, num ponto em que ficasse protegida, longe da chuva, presa contra o vento. E ele viu, de longe, eu sei que viu.
O moço já está bem protegido.
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*Obs. pós-texto, e já no Brasil: Eu sei que explicações matam qualquer poesia, mas acho que aqui se fazem necessárias... Entre os pactos malucos, meus e do outro, estava uma foto dele que eu deveria deixar com Eça de Queiroz. E eu, que sou tola, fui realmente deixar a foto em frente a uma estátua do autor, em Lisboa. Devia tê-la rasgado, apenas... Seria igualmente poético e eu pouparia Eça-cena.
O NOME DISSO
Há um ano

2 comentários:
Quando fui a Lisboa, eu vi as estátuas de Alexandre Herculano, Fernando Pessoa e de Camões, além daquelas do Marques de Pombal e de D. Manuel, o venturoso. Mas juro a você que não vi a de Eça de Queiroz. E olhe que eu andei por aquele Chiado! Coitados dos meus olhos! :P
Outra coisa: não entendi bem o motivo pelo qual você foi deixar a foto de alguém lá, ao pés de Eça de Queiroz. Aliás, quem é esse alguém? Me explica isso aí. Bjs
Foi um grande amigo meu... Que, quando soube que eu ia pra Portugal me deu alguns presentes: um fósforo (para me proteger de atentados terroristas), um guardanapo (pra enxugar as lágrimas), uma fita com horas de gravação de músicas, frases bonitas e sons do Recife e, por último, uma foto 3 X 4 que eu deveria entregar, de alguma forma, para Eça. E deixei. Mas a amizade não ficou. Ficaram os textos.
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