sábado, 7 de junho de 2008

Alguém à porta

O anfitrião a chamou pra entrar e deixou a chave por debaixo do tapete. Mas ela, no fundo, sabia que não pisava firme. Na verdade, não pisava: entrou voando; assim o peso de sua vida não feriria o chão e nem os ouvidos do anfitrião.

Ele disse que entrasse sem medo, que reclamasse, que conversasse sobre qualquer coisa. Mas ela não queria falar agora, apenas lia as mensagens nas paredes, portas, fechaduras, e ouvia uma boa música vinda de algum lugar - talvez fosse de dentro dela.

Mas deixemos o hall de entrada, que o anfitrião tem febre e fome.

- Vamos à cozinha que eu te preparo um chá.

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