Hoje eu vi um romance quase começar. É engraçado como os romances alheios batem à minha porta. Dessa vez, literalmente.
Voltava do Teatro. Sozinha, claro, como sempre tenho feito. Aqui não há grandes problemas: o metrô funciona até a 1h da manhã, e eu consigo ingressos com desconto por ter um professor que é também ator e diretor. Aqui, (Raízes do Brasil!), aos amigos, tudo; aos inimigos a lei.
Voltando do Teatro, abro a porta sem cuidado, e noto, repentinamente, que minha companheira de quarto não está dormindo. Olhos assustados ao me ver, rosto vermelho - e não foi por causa da minha chegada, claro - já não causo emoção a ninguém. Eram marcas de romance. E o companheiro, pego de surpresa, ficou de costas pra mim. Ele queria um pouco de privacidade. Mas é difícil de se ter isso quando dividimos um quarto com alguém. E, convenhamos, três é demais!
Três é demais! É evidente que meu pensamento, na hora, não foi esse. Eu tive um misto de espanto (afinal, ela estava com um dos rapazes mais idiotas da residência) e inveja. Que coisa feia! Eu queria também fazer coisas feias e bonitas. Incomodar os vizinhos de tanta felicidade. Na verdade, agora sou só a desmancha-prazeres que, pela chegada inoportuna, obrigou o casal a se desvencilhar. Disse que desceria, que eles podiam ficar à vontade.
Mas não desci. Ri alto no corredor, tão alto que as vizinhas abriram a porta para saber o que aconteceu. Fazia tempo que eu não ria. Foi divertido. Mas continuo com essa inveja tão própria dos humanos.

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